sábado, 28 de abril de 2012

Historia de Santa Maria de Jetiba


Mapas, painéis, tabelas, utensílios domésticos, textos, objetos e uma infinidade de histórias baseadas em tese da imigração dos pomeranos para a colônia de Santa Maria de Jetibá, em data estimada em 1857, formam o acervo do Museu da Imigração Pomerana, que será inaugurado hoje, às 16:00 horas, no município de Santa Maria de Jetibá, emancipado há apenas três anos. O mais novo museu do Estado chega com uma proposta diferente. O museólogo e professor da Ufes, Sebastião Pimentel Franco, garante que o objetivo não é apenas resgatar a memória desse povo. A união entre o passado e presente é exigência máxima de modernidade na constituição de um museu de arte.
O Museu da Imigração Pomerana será inaugurado justamente durante a 11ª Festa do Colono em Santa Maria de Jetibá. O prefeito Helmar Potratz conseguiu uma casa cedida em comodato e que pertence à Cooperativa Avícola. A casa não é uma réplica da pomerana porque houve descaracterização. Mas com a contratação de um projeto arquitetônico e museológico, a adaptação ficou de qualidade. “Estamos finalmente conseguindo inaugurar um museu que vai refletir a história da imigração pomerana “, conta o prefeito, argumentando que a disposição de deixar a marca da imigração pomerana auxiliou na conclusão do museu.
Participações
A Prefeitura de Santa Maria de Jetibá contou com a participação em recursos do Governo do Estado e consulado-geral da Alemanha, no Rio de Janeiro, para montar o museu. A história do Museu da Imigração Pomerana começou nos bancos da universidade. A professora de História da Ufes Regina Hees defendeu uma tese de mestrado sobre a imigração pomerana. Ela e o museólogo Sebastião Pimentel Franco passaram quase dois anos reunindo objetos, textos e buscando, de porta em porta, elementos sobre os pomeranos. A seleção das peças do museu nasceu daí, após uma pesquisa histórica registrada por Regina em sua tese. Mas na prática foi preciso definir temas na elaboração do projeto do museu.
Sete temas foram trabalhados. “A gente procurou fazer uma exposição cronológica”, explica Sebastião Pimentel Franco. O primeiro tema enfoca a vinda dos imigrantes. Essa fase inclui os problemas sócio-econômicos e políticos. Regina Hees acrescenta que eles viviam numa estrutura feudal, como se fossem servos em sua própria terra, no continente europeu. O segundo tema aborda o estabelecimento dos pomeranos no Brasil e a ocupação da terra. Fala da viagem e da chegada. O terceiro lembra a higiene e a medicina. O quarto descreve a economia. O quinto aborda a evolução administrativa na região. O sexto enfoca a educação e o sétimo fala dos aspestos mculturais e de lazer. O último aborda a religião.
Cronologia
Com este aspecto cronológico, explica Sebastião Pimentel Franco, foi traçado o perfil do que seria o museu. Ele identifica o processo como de linguagem moderna. “A idéia é levar até a comunidade não só a história dos seus antepassados mas também a proposta de um novo espaço para a cultura.
“No museu serão feitas exposições que alertarão sobre assuntos problemáticos da comunidade”. Regina Hees lembra de temas como alcoolismo e agrotóxicos. Eles funcionarão como mostras educativas.
A proposta de fazer um museu dinâmico – existe um convênio com a universidade que facilitou a montagem – é para criar na comunidade uma certa disposição quanto à visitação. Sebastião Pimentel Franco admite que o brasileiro não gosta e não tem costume de visitar museus. Por este motivo, além das exposições comuns, haverá eventos ligados diretamente ao dia-a dia dos pomeranos. Os dois lembram a obstinação do prefeito Helmar Potratz, que auxiliou muito na conclusão do projeto. Além disso, duas estagiárias foram treinadas no Museu Solar Monjardim, em Vitória, e vão cuidar da administração do museu dos pomeranos.
Promessa
Sebastião e Regina contam que não foram poucas as dificuldades encontradas para montar o museu. Como a casa da Cooperativa Avícola não é uma construção própria para museu, eles tiveram que criar uma solução para interferir na atual realidade. Falar do passado com modernidade foi uma das preocupações. Pensando assim, grandes painéis funcionam como contadores de história. A arte foi feita em silk-screen. “Nós procuramos falar do passado até o presente, numa abordagem que não ultrapassou a realidade”, confessa o museólogo. Ele ainda garante que a montagem de um museu requer evolução, mesmo quando se trata de coisas antigas.
Ainda nas imediações do museu, até o final do ano, existe uma promessa da Prefeitura de construção da Casa do Colono Pomerano. Regina Hees diz que a casa já foi até comprada pela Prefeitura. Ela lamenta que algumas construções estejam completamente descaracterizadas e certas casas sejam vendidas inteiras e depois desmontadas. Elas possuem madeiras antigas e de boa qualidade, interesse de muitos decoradores. Sem falar no mobiliário antigo, que enche os olhos dos colecionadores. Longe dos tempos de colônia, hoje o município de Santa Maria de Jetibá tem uma nova história. A ascensão do comércio com o mercado de produtos hortigranjeiros faz da região um município em franca prosperidade.
Projeto arquitetônico
Montar um museu não é tão fácil quanto parece. A Prefeitura necessitou, ainda, de um projeto arquitetônico. O arquiteto José Daher conta que a casa, tão danificada, teve que ser restaurada, mas sem perder a sua característica original. Ela fica localizada num plano mais alto da cidade. A construção antiga tinha cinco cômodos que incluíam duas salas, transformadas numa só. A carência de espaços para reunir a comunidade resultou num projeto que associaria o museu, além do acervo, a um local dedicado à cultura, aberto para diversos fins, garante o arquiteto. A restauração da obra começou no ano passado.
As fachadas foram restauradas no padrão original. Como a casa pomerana não tinha iluminação foi necessário um projeto atualizado. A utilização do novo e do antigo é comum nesse tipo de arquitetura. José Daher argumenta que o interior solidifica instações antigas que são associadas a objetos contemporâneos. Um exemplo é a iluminação feita com spots. Ela age como elemento de apoio. Um trilho eletrificado abriga os spots, que direcionam os focos sobre as peças que estão sendo expostas. O contraste entre o velho e o novo tem a proposta de valorização do interior. Antes de iniciar o projeto, José Daher Filho fez um levantamento e acompanhou a obra de restauração da antiga casa. Ele é dono da empresa Vão Livre Arquitetura e Urbanismo, que assina o projeto arquitetônico.

Fonte: Jornal A GAZETA de 18/12/1990 - Jornalista, Izabel AarãoCompilação: Walter de Aguiar Filho, setembro/2011

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