sábado, 28 de abril de 2012

Historia de Barra do Riacho


A Barra do Riacho originou-se basicamente de uma das três grandes fazendas que havia nas proximidades do Rio Riacho, surgidas com a criação do Município de Santa Cruz, que abrangia aquela região. Em 1848. Esta fazenda, que se chamava Flor da Barra, começava na saída norte da (atual) Barra do Riacho e ia até o Córrego das Minhocas, na Praia das Conchinhas, sendo sua sede um casarão na foz do Rio Riacho.

A casa grande de uma das outras fazendas, a Mercantil, de Luís de Mattos, hospedou o imperador Dom Pedro II em fevereiro de 1860. O monarca estava fazendo uma visita à Província do Espírito Santo e percorreu praticamente toda a orla marítima do Município de Santa Cruz.

Em 1912, como havia muitos posseiros ocupando a área em torno do pasto da Fazenda Flor da Barra, seu proprietário, Antônio Lobo, resolveu doar aquelas terras a seus ocupantes, num total de 30 hectares. Estava criado o povoado de Barra do Riacho. Em 1940, o filho-herdeiro de Antônio Lobo, Armando Lobo, doou mais de 20 hectares.

Por volta de 1930, Barra do Riacho já contava com cerca de 150 habitantes, destacando-se as famílias Azeredo, Alvarenga, Souza, Leal, Bandeira, Pimentel, Matos, Andrade, entre outras. Conta o historiador José Maria Coutinho que “nessa época, não havia carros nem estradas, apenas caminhos abertos a foice ligavam Barra do Riacho com outros povoados e toda viagem era feita a cavalo ou a pé. Os doentes eram transportados em redes”.

O pai de José Maria, José Coutinho da Conceição, passou a morar no progressista povoado por volta de 1932, dedicando-se à agricultura e depois ao comércio. José Coutinho também ajudou a desbravar a região e levar melhorias, como estradas e pontes, principalmente durante seus dois mandatos de vereador (1946 a 1954).

Conta seu filho: “Barra do Riacho ganhou as estradas que a ligam com a Vila do Riacho, Pau-Brasil e Barra do Sahy, tendo o vereador comandado os índios e caboclos na abertura da estrada, a foice, machado, facão, enxada e enxadão. José Coutinho foi também responsável pela construção das pontes sobre os Rios Sahy e Gemunhuna e do primeiro cemitério. Além disso, liderou a construção da Igreja de São Sebastião três vezes.

Com o desenvolvimento maior de outras regiões do município, na década de 50, a Barra do Riacho também entrou em decadência econômica e perdeu poder político, agravado pela morte de José Coutinho, em 19/8/57, e de sua mulher, Amália Del Santo Coutinho, em 1963. Mesmo assim, elegeria vereador o major Otto Netto (1955-1958) e José Souza (1973-1977).

A Barra do Riacho voltou a ganhar destaque a partir de 1976, quando foi literalmente “tomada” pelos milhares de operários que trabalhavam na construção da fábrica da Aracruz Celulose, a cerca de um quilômetro ao sul da vila. A fábrica entrou em atividade em outubro de 1978, construiu seu porto exclusivo pouco depois e foi ampliada cerca de dez anos depois, duplicando sua produção e se tronando a primeira fábrica de celulose do mundo.

Como Barra do Riacho recebeu muito pouco dos benefícios deste progresso e praticamente todos os seus problemas, nos últimos dias de agosto/80 surgiu a ACBR (Associação Comunitária de Barra do Riacho), fundada por José Maria Coutinho e Jurandir Ângelo.

Como efeito maior do trabalho de conscientização que José Maria já vinha liderando desde dois anos antes, a ACBR conseguiu fazer com que o lugar ficasse “com cara de cidade”. Os moradores passaram a ter confortos que até então desconheciam e se tronaram uma das comunidades mais politizadas do município.

Tanto é que voltaram a eleger vereadores a partir de 1989: Waldyr Vieira exerceu dois mandatos (1989-1992); Pedro Tadeu Coutinho, filho de José Coutinho da Conceição, idem (1993-1996 e 1997-2000); Marcelo de Souza Coelho (1997-2000).

 Fonte: Faça-se Aracruz! (Subsídios para estudos sobre o município),1997Organizador: Maurilen de Paulo CruzCompilação: Walter de Aguiar Filho

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